terça-feira, 20 de novembro de 2012


A imagem mostra a frente de uma capela, com duas mulheres, uma lamentando a perda de seu ente querido e a outra pedindo silencio aos visitantes do cemitério, é uma arquitetura rica em detalhes que consegue mostrar algo além, desperta o sentimento de compaixão. 
Cemitério de Santa Isabel - Belém, PA.

A imagem mostra um anjo, aparentemente triste pela perda da pessoa, transparecendo a melancolia. 
Cemitério de Santa Isabel - Belém, PA

A lenda da moça sem face



            Vinícius era soldado do Núcleo do Parque de Aeronáutica de Belém. Brincalhão, bom camarada, era querido por seus companheiros de farda e superiores. Contador de anedotas, onde estivesse nos momentos de folga sempre tinha uma roda em volta. Estudante, fizera até a 4ª série ginasial antes de ingressar na caserna. Festeiro, frequentador das gafieiras de Belém, principalmente as do bairro de Marco, da Pedreira e de Canudos, era tido como bom dançador de merengue. Quantas vezes Vinícius não “pulou” serviço para “balançar o esqueleto” num dançará suburbano! Em várias ocasiões esteve para ser preso por tal motivo. Nunca dava alterações de outra natureza, mas se sabia que havia um “samba”, Vinícius, estivesse ou não de serviço, ia bater lá. Fugia do quartel e ingressava triunfalmente na sede onde se ouvia o La Bamba ou outro sucesso musical da época. Depois, era arranjar uma “amiguinha” e pronto… veria depois.
Conhecia as histórias de aparições que se contavam do Parque, mas não lhes dava muita importância. Pelo menos dizia. E afirmava mesmo que, se visse alguma coisa, ia dirigir-se e pergunta:
- Que é que tu qué, meu irmão? Reza, missa, diz lá o que é. Se tu já morreste, fica pra lá. Não vem perturbar os vivos.
E, brincando sempre, levava tudo na gozação. Só que, no dia em que viu alguma coisa, que pensou depois ser assombração, não fez nada do que disse.
Ninguém podia duvidar que ele era corajoso. Disto já era provas em diversas ocasiões. E brigava bem.
Num dia de folga, em que os “dançarás” não funcionavam, Vinícius saiu trocando pernas pelo bairro do Marco. Desceu a Almirante Barroso e já se aproximando ao Largo de São Braz encontrou uma garota de branco, com o vestido clássico de “merengueira”: decotado, curto para a época em que ainda não havia minissaia. Vinícius pensou: - Taí, vou “baixar” nesta “miquimba”.
E dirigiu-se à moça.
- Que é que há, minha filha? Noite tá fria, boa pra fazer neném, hein?
Vinícius era assim. Nada de meias palavras. Era objetivo, direto, “entrava forte” mesmo.

A moça permaneceu como estava. Respondeu ao cumprimento e foi o bastante para o soldado colocar o braço pela suas costas. Conversa vai, conversa vem, Vinícius falando sempre, e a moça respondendo mais por monossílabos.

Saíram andando em direção a Canudos, pois ela havia dito que morava “para lá” indicando com o braço a entrada daquele bairro. O soldado tentara beijá-la várias vezes, e a moça sempre virava para o lado, de modo que Vinícius praticamente não pôde ver-lhe o rosto.

- Mas tu é metida a virgem, hein! E dizendo isto Vinícius tirou o braço das costas da moça, segurando-lhe a mão. Ao primeiro contado, Vinícius sentiu-se arrepiar: a mão da moça parecia gelo. Mas procurou raciocinar. Ora, a noite estava fria.

Naturalmente era por esta razão. Mesmo assim Vinícius começou a arrepender-se de ter “baixado” naquela “miquimba”.

Continuaram andando Canudos adentro, na direção do Bairro de Santa Izabel. Vinícius falou:

- Mas tu mora longe, menina. Puxa vida! Depois de uma caminhada dessas, se tem de descançar. Porque, do contrário, o neném que a gente vai fazer já vai nascer cansado!

- Já estamos perto de onde moro. É logo ali.

Ao chegarem a uma esquina, a jovem parou.

- Rapaz, tu és muito corajoso! Gostei de ti, sabes? Mas é melhor que te vás embora. Não quero que te aconteça nada de mal.

Vinícius ficou admirado do rumo das coisas. A moça continuava de lado, sem virar-se de frente.

- Mas que é que me pode acontecer de mal? Tu é amigada? Ou é de teu “xodó” que tás com medo? De qualquer forma, se tu quisé ir comigo, é só dizer que vou. Ninguém é mais homem do que eu. Logo, digo pra ele que tu quiseste vir e pronto! E se ele quisé se balançar, não te incomoda que não vou apanhar, não.

- Não é nada disso. Não tenho “xodó”, nem ninguém. Apenas deves ir embora. Eu te admirei muito e por isto estou sendo tua amiga. Eu não posso ir contigo, nem tu deves ir onde moro.

Estou falando para teu bem. Adeus.

Ante ao desfecho inesperado, Vinícius titubeou um momento. Em seguida, segurou a moça violentamente pelo braço, puxou-a, colocando-a a sua frente, enquanto falava:

- Tu não vais me…

As palavras morreram em sua boca. Ia dizer: - Tu não vais me fazer de besta, não! Mas o que viu deixou-o paralisado. Quando terminou o movimento e ela ficou de frente, olhou para o seu rosto, procurando-lhe os olhos e então viu que sua face era alguma coisa informe, ou melhor, era como se ela não a tivesse. 
Aterrorizado, Vinícius recuou. A moça calmamente virou de costas, começou a andar, dizendo:

- Eu te avisei…

E dobrou a esquina.

Vinícius estava apavorado. Contudo, refletiu um momento e, sendo corajoso, rapidamente seguiu-a.

Para surpresa de Vinícius, não havia ninguém. A moça havia sumido. Ainda chegou a pensar que havia entrado numa casa qualquer próxima à esquina. Certificou-se que tal não tinha acontecido, que a moça sumira mesmo. Vinícius ficou todo arrepiado. Quis se mexer e não conseguiu. Só então tomou consciência que estava próximo ao Cemitério de Santa Izabel.

Quando pôde se mexer, Vinícius saiu em desabalada carreira por dentro de Canudos e, sem parar,subiu a Almirante Barroso até o Parque de Aeronáutica.

Foi surpresa geral quando Vinícius chegou todo afobado, cansado, gaguejando e sem conseguir dizer nada. Os poucos soldados que estavam acordados providenciaram água com açúcar, e, depois de muito tempo, conseguiu relatar sua história, jurando que todo aquele tempo estivera conversando com um fantasma.

Apesar de sua expressão de pavor, alguns ficaram incrédulos.

- Só depois é que reparei que ela não virava o rosto na minha direção. Aliás, não lhe vi a face.

E era gelada, meu irmão, vou te contar. Esta mulher não era gente viva, não era, não! Eu é que não quero acordo com estas coisas.

Troçaram com Vinícius.

- Taí, tá vendo o que dá andar querendo conquistar todo mundo? Vai nessa, vai!

Daí em diante, Vinícius, quando queria “baixar” em uma “miquimba”, olhava seu relógio. Se era tarde da noite, podia ser a mulher mais linda do mundo, que Vinícius ficava fora da jogada…e dizia:

- Eu, hein!
Visagens e Assombrações de Belém - Walcyr Monteiro  

A lenda da Severa Romana



  • Severa e o marido, o soldado Pedro Cavalcante de Oliveira moravam onde hoje se situa a rua João Balby, nº 81, no trecho entre a atual avenida Alcindo Cacela e a travessa 14 de Março, em modesta barraca, que funcionava como uma espécie de pensão dividida em vários cômodos que eram alugados. 
  • Aos 19 anos e grávida de cerca de sete meses, Severa Romana estava casada há quase dois anos quando ela e o marido concordaram em fornecer refeições, mediante módico pagamento, ao cabo Antônio Ferreira dos Santos, transferido do Ceará. Homem impulsivo e primário, logo se apaixonou pela jovem, grávida pela primeira vez, que repeliu energicamente as propostas do militar. Às 19 horas do dia 2 de julho de 1900, valendo-se da circunstância de estar o dono da casa de sentinela no quartel, Antônio foi à barraca do João Balby e, repelido mais uma vez, ameaçou de usar a violência para alcançar o seu intento. De nada valeram as súplicas e os gritos de socorro da vítima. Armado de navalha, o cabo atacou cruelmente a moça, golpeando-as no seio e no pescoço, degolando-a.

A diferença entre o mito e a lenda

O mito são narrativas usadas para explicar algum fenômeno da natureza que a ciência ainda não conseguiu explicar e é bastante utilizado de simbologias como os famosos deuses gregos, lembrando que o mito não é um conto de fadas. Na lenda normalmente é mesclado fatos reais com ficções e utiliza-se muito da linguagem local.
Por ser uma narrativa de cunho popular, normalmente a lenda é transmitida de geração em geração de formal oral, e a lenda não pode ser comprovada de forma cientifica, assim como o mito a lenda fornece fatos inexplicáveis, entretanto são facilmente aceitas pela população, pois apesar de serem fruto da imaginação de quem as criou elas chegam mais próximo da realidade.

Lenda


  • A lenda é uma narrativa de cunho popular que é passada normalmente de forma oral de geração em geração, como por exemplo uma das lendas mais conhecidas de Belém é a lenda  do Boto, quem nunca ouviu falar:”É filho do boto”. A lenda não pode ser comprovada de forma cientifica, pois é imaginação das pessoas que a criaram. Entretanto a lendas chegam muito perto da realidade.
  • Nas lendas, é utilizado de componentes para enfatizar a historia: pessoas, mescla fatos com ficção, animais imaginários como por exemplo o famoso Curupira e a Cobra Grande.

Mito


  • Os mitos são narrativas que os gregos usavam para explicar algum fenômeno da natureza, como por exemplo a origem do mundo, utilizam muito de seres sobrenaturais como deuses e deusas. O intuito do mito é passar o conhecimento de fenômenos que a ciência ainda não conseguiu explicar.

    Em certas situações o mito não é utilizado de maneira correta, como na questão da religião, que em certos momentos usa o mito por não ter uma teoria fundamentada. Acontecimentos do passado também podem se torna mito e podem influenciar algumas culturas, tornando-se quase como uma lei em certos lugares. O mito não é uma lenda nem um conto de fadas.